sábado, 31 de janeiro de 2015

PMEs e Angola - É importante perceber o mercado no momento em que descem os preços petrolíferos

O crescimento económico em Angola, que se tinha previsto de 8,8% em 2014, foi revisto
mais tarde para 4,6%, devido ao andamento da produção de petróleo na primeira parte do ano. No final de 2014 previa-se o crescimento de 5,5% para 2015, mesmo assim muito inferior à ambiciosa previsão inicial de 8,8%. Este crescimento, de capital intensivo e dependente das importações, tem fortes ligações a áreas dominadas pelo sector estatal, nomeadamente a construção e o sector financeiro. O sector não petrolífero, como transportes, indústria ligeira, comércio e serviços, terá rápida expansão, mas a falta de reformas e a sobre-valorizada taxa de câmbio darão um mau clima de negócios, restringindo o investimento fora dos sectores petrolífero e da construção.

Apesar dos esforços do governo angolano para estimular as pequenas e médias empresas, bem como os serviços, exemplo do turismo (que pode levar à criação do emprego), e ainda esforços para desenvolver um sector privado dinâmico, esses esforços enfrentam obstáculos como seja um fraco capital humano, deficiente regulação, insuficiente fornecimento de energia, elevados níveis de corrupção e ainda a redução (crowding-out) do investimento privado através das medidas do sector público.

O Banco Nacional de Angola (banco central) fez cortes nas taxas de juro por três vezes desde há ano e meio, em cem pontos-base, o que se reflectiu na tendência inflaccionária positiva e numa redução das preocupações em relação ao impacto da legislação sobre o petróleo na liquidez do sistema monetário. A manutenção da inflação a um só dígito continua a ser um objectivo essencial do banco central.


O desempenho do sector petrolífero deverá continuar a ter um impacto substancial no equilíbrio orçamental nos próximos quatro anos. Os analistas estavam optimistas em relação aos preços de petróleo em 2014 e esperavam um declínio de apenas 0,5%, contra a anterior previsão de -1,3%, mas também esperavam uma queda anual de 3,7% nos próximos quatro anos. Todavia, admitiam que isto podia em parte ser ultrapassado pelo aumento da produção de petróleo e gás.


Entrando na actualidade, a presente descida dos preços do petróleo pode trazer dificuldades às empresas portuguesas que têm uma forte presença em Angola. Podem surgir atrasos nos pagamentos, quebra de importações por redução do consumo no mercado interno angolano e preferência por outros fornecedores alternativos a Portugal, com produtos de menor qualidade mas de preços mais baixos (a China por exemplo está bem posicionada).

Importa ainda referir que até agora o contexto económico tem sido acompanhado pela estabilidade política. Aliás, previa-se, entes da queda dos preços, que essa estabilidade se mantivesse, pelo menos até 2016, embora o Presidente José Eduardo dos Santos (no poder desde 1979) tenha possibilidade, pela Constituição de 2010, de permanecer até 2022. No entanto, especula-se em Angola (segundo The Economist Intelligence Unit) que o Presidente queira decidir sair antes dessa data, pelo que também se especula sobre o iniciar ou não de uma discussão quanto à sua sucessão. Naturalmente, também existem preocupações no sentido em que uma saída repentina do Presidente possa conduzir à instabilidade, por um possível vácuo poder. É claro que a quebra dos preços petrolíferos irá reduzir os rendimentos em Angola, e isto poderá contribuir para uma certa instabilidade política.

Aproveitar a estabilidade política em Angola foi sempre importante para as empresas portuguesas na sua introdução no mercado, seja através do investimento no país, seja pela via das exportações. Neste momento, torna-se mais importante perceber o mercado, ou seja, ver até que ponto a influência da conjuntura dos preços do petróleo pode interferir e como nas decisões dos operadores económicos.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

PME Exportadora 2015 - Ano Novo Vida Nova

Penso que vai existir um prémio para a PME Exportadora 2015, tal como deve ter existido um em 2014, 2013, etc. No entanto, nem todas as PME Exportadoras são premiadas, mas podem ser bem sucedidas. E nem sempre o sucesso é visível, ou premiado, mas é sucesso na mesma. As vendas a crescer, os lucros a subir, a quota de mercado a aumentar, o segmento de mercado global a reagir bem e, sobretudo, o senhor empresário a sentir-se vencedor, mesmo sem ninguém lhe ter atribuído um prémio.

A busca das melhores práticas na indústria que conduzem ao desempenho superior, processo positivo e pró-activo em que uma empresa analisa como outra (bem sucedida) realiza uma função específica, a fim de melhorar (na sua empresa) o modo como realiza uma função semelhante. Eis o que se chama “benchmarking” e isto é necessário fazer, ou seja, comparar os desempenhos para melhorar o seu.

Neste início de 2015 verifique como foi o seu desempenho em 2014, irá fazê-lo sem dúvida, até talvez já o tenha começado e nos projectos que já planeou (porque estamos a passar para o próximo ano) utilize o “benchmarking".

Em termos globais, se pensa global, valorize, por exemplo, o que a China está a fazer em relação ao continente africano. Como se sabe, a China pensa no continente africano para os próximos anos, não só para investir e exportar, mas para fazer aquilo a que se pode chamar o trabalho completo: investe em várias áreas para criar o seu território, as suas ligações com o mercado; exporta o que vai descobrindo que pode vender em cada mercado africano em que entra; descobre as possibilidades de se fornecer daquilo que precisa, nomeadamente matérias-primas da área agrícola, dado ser um sector em que a China não é forte. Um dos países africanos em que a China estrará a pensar deste modo é Angola, um dos grandes PALOP, porque sabe que tem enormes recursos agrícolas, para além do petróleo. 

Finalmente, dado que nesta altura o senhor empresário de PME Exportadora já fez os principais planos e tem certamente projectos em curso, deve preocupar-se com a sua agenda e nesta, faça o possível por ter uma agenda própria e não andar atrás das agendas dos outros, que seguramente o querem influenciar nalgum sentido que parecendo bom, pode não ser o melhor para o seu caso. Trata-se, por exemplo, de entidades financiadoras, nacionais, comunitárias e outras. Por vezes, também as entidades estatais ou associações empresariais organizam eventos para apresentar apoios que, sem dúvida, deve explorar o melhor possível para a sua empresa. Por isso, toda a informação que conseguir deve retê-la, analisá-la mas decida com a sua própria equipa sobre a sua agenda. Boas exportações em 2015!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

China parece que está na moda - Saberão as PMEs porquê?

Conhecemos a China longínqua, mas sentimo-la cada vez mais perto de nós, pelas boas e más razões, ou para ser mais correcta, pelos motivos mais óbvios e pelos mais ignorados. Os que se notam mais desde há muitos anos são as lojas chinesas, as imitações de tudo o que se vende no Ocidente, os preços baixos, os chineses propriamente ditos (trabalhadores inveterados) mas também, há menos anos, é bem conhecida a entrada em Portugal dos grandes investimentos chineses. Do mesmo modo, quase todos os portugueses, através da comunicação social, sabem que a China se tornou uma das maiores economias do mundo, quando até agora era apenas o país mais populoso. Acresce que, também algumas empresas exportadoras portuguesas estão já a vender para a China, seja em início de exportação, seja em planos para futuramente exportar. Tudo isto se passa, mas torna-se cada vez mais necessário conhecer melhor um mercado que há já várias décadas está a ser trabalhado por multinacionais norte-americanas e europeias, através de marcas bem conhecidas, desde automóveis até produtos de higiene e cosméticos. Os estudos que se fizeram para penetrar naquele mercado são difíceis de conhecer, mas os percursos das principais marcas são mais evidentes e mostram seguramente que o mercado é como qualquer outro, ou seja, tem aspectos gerais, em que os consumidores revelam comportamentos semelhantes a qualquer consumidor do mundo, e tem aspectos específicos e locais, como qualquer mercado local, e que devem ser conhecidos, antes de se pensar em penetrar naquele país. Claro que a entrada no mercado também tem de ser planeada consoante a indústria em questão.

Refira-se que uma grande empresa de estudos e auditoria sediada em Londres (Ernst and Young) prevê que daqui a quinze anos (cerca de 2030) aproximadamente dois terços da população mundial de classe média estarão na Ásia-Pacífico, sobretudo na China. Presentemente com 150 milhões de consumidores de classe média, a China poderá ter mil milhões, o que representa um mercado enorme para as empresas norte-americanas e europeias. Actualmente, o mercado chinês representa para as empresas norte-americanas à volta de 250 mil milhões de dólares. Ou seja, apostar no mercado chinês não é utopia, mas sim uma previsão baseada em dados actuais.

Presentemente, a estabilidade política é evidente, com a entrada em funções do presidente Xi Jinping em Março de 2013; após a posse, tornou-se um líder de confiança, com maior autoridade no partido do que qualquer anterior liderança, desde Deng Xiaoping (1978-1992). O primeiro-ministro, Li Keqiang, tem estado relativamente apagado com a sombra do presidente Xi, mas parece acompanhar a agenda do presidente e está provavelmente a ter um papel importante na definição e execução da política. A campanha anti-corrupção deverá dar ao presidente um instrumento poderoso como aviso a dissidências dentro do partido. Essa campanha já levou a demissões de algumas figuras seniores nas empresas estatais (segundo a Economist Intelligence Unit - EIU).

A grande fonte de influência da China na situação global consiste no desejo dos governos estrangeiros e empresas do exterior conseguirem tirar partido do enorme mercado interno chinês e também de atrair o investimento da China para os respectivos países.

A economia chinesa cresceu 7,7% em 2013, apoiada por um pacote de mini-estímulos a grandes investimentos que o governo lançou em meados do ano. Como a campanha do governo contra despesas públicas extravagantes começou a ser mais moderada, o crescimento do consumo (tanto público como privado) deverá acelerar em 2014. O desempenho das exportações chinesas será também melhor, à medida que se fortalecer a procura externa, sobretudo nos EUA e na UE. Contudo, as condições restritivas do crédito provavelmente farão abrandar o crescimento do investimento em 2014. A previsão da EIU para o crescimento económico em 2014 é de 7,2%. As previsões de incremento para as exportações de bens e serviços em 2014 é de 7,5% e em 2015 de 7,6%. Quanto às importações de bens e serviços, estas crescerão 7,9% em 2014 e 8,3% em 2015. Verifica-se, assim, que a China continuará a ser um grande exportador mundial e também um grande importador. Neste caso, o crescimento irá mesmo acelerar de 2014 para 2015.

Ora são estes números do crescimento das importações chinesas que as PMEs exportadoras portuguesas deverão olhar se querem pensar ou continuar a pensar na China. O mercado tem espaço, a questão é saber quais os produtos ou grupos de produtos que mais interessam à economia chinesa e ao consumidor chinês.

As oportunidades existem sobretudo nas regiões com maior poder de compra que se encontram nas províncias do litoral, desde Guangdong a Liaoning e menos nas províncias do interior. As regiões mais ricas são Guangdong, Zhjiang, Xangai, Pequim e Tianjin. Como a China se encontra num processo de construção de infra-estruturas, considerado único a nível mundial pela sua dimensão, existem oportunidades nas áreas de transportes quer ferroviários quer rodoviários (equipamentos, etc.), na energia, na habitação, podendo as empresas portuguesas considerar hipóteses na internacionalização nestes sectores. Na área dos serviços, o envelhecimento da população tem impulsionado os sectores relacionados com cuidados de saúde, mas o aumento do nível de vida está a ter impacto nas áreas de restauração e entretenimento. Os serviços às empresas e o sector bancário (dada a gradual liberalização neste país) são também áreas com oportunidades. Na área do turismo, o crescente poder de compra e a diminuição das restrições aos movimentos de pessoas, estão a favorecer as saídas de turistas chineses, mas a popularização da China como destino turístico também se verifica. Há muitos anos que muitos portugueses viajam para a China em turismo.

Exportar de Portugal para a China é um fenómeno que existe, mas tem pouco significado. No entanto, referem-se os principais grupos de produtos exportados (fonte: Aicep): máquinas e aparelhos são os principais, com menor expressão seguem-se os minerais e minérios, os metais comuns, a madeira e cortiça e os produtos químicos.

Os aspectos da qualidade e da imagem são essenciais para as empresas ocidentais exportarem para a China, dado que este país consegue produzir quase tudo a custos muito inferiores aos das empresas ocidentais. Assim, estas são consideradas as vantagens competitivas. Na qualidade, nota-se que as grandes empresas chinesas já investem em máquinas de origem norte-americana ou europeia se estas trouxerem vantagens em termos de qualidade de produção. Existem muitos exemplos neste sentido. A Aicep indica que, entre as indústrias portuguesas que poderão procurar mercado nesta área encontram-se as de moldes, peças para máquinas, máquinas e aparelhos e cortiça. Quanto à imagem, sabe-se que na sociedade chinesa o estatuto assume uma particular importância, pelo que os consumidores chineses com algum poder de compra procuram as marcas ocidentais conhecidas. Isto porque os chineses dessa categoria sabem que os produtos de marca têm preço mais elevado e que o público se apercebe disso, sendo esta a razão porque os preferem. Esta situação pode suceder ou vir a suceder com produtos portugueses de certos sectores, como por exemplo, têxteis, calçado, vinho, mobiliário, artigos para o lar e materiais de construção. Os sectores indicados são os que têm maior potencial de exportação para a China, mas a qualidade e a imagem têm de ser considerados aspectos-chave nos produtos a exportar.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Moçambique - Economia em expansão cria oportunidades

Moçambique está na ordem do dia no continente africano, sobretudo para Portugal, claro. A língua portuguesa une o nosso país a várias economias africanas e isto não pode ser esquecido, no momento em que vários países europeus continuam a procurar oportunidades de negócio na África Lusófona e até certos países asiáticos estão em vias de o fazer ou já estão mesmo lá, como a Coreia do Sul (empresa Kogas) através do investimento no projecto de distribuição de gás natural (para os consumidores domésticos e ao nível comercial em Maputo). Acima de tudo, note-se que o investimento estrangeiro é normalmente a base do desenvolvimento das economias africanas, por isso salienta-se também o investimento da África do Sul (empresa Sasol) nas novas instalações de energia em Ressano Garcia, em “join-venture” com a Electricidade de Moçambique. Acresce que a produção será não só para consumo interno, mas também para exportação com destino à África do Sul.  É claro que o importante projecto de distribuição de gás natural no município de Maputo foi inaugurado recentemente (11 de Setembro de 2014) pelo presidente da república Armando Guebuza.


Este texto sobre Moçambique começou com um facto de relevo, porque se pretende salientar que as previsões para esta economia vão no sentido de grande expansão (acima de 7% de crescimento anual), sendo o consumo interno também elevado, mas o consumo público ainda mais, a seguir a 2016, porque em 2015 se prevê uma quebra do consumo público. O investimento fixo (FBCF) deverá ser sempre elevado nos próximos quatro anos, bem como as exportações e importações de bens e serviços. Entre as actividades que irão crescer mais encontra-se a indústria, acima dos 10% ao ano (sobretudo a mineira), os serviços (entre 6% e 7% ao ano), e a agricultura crescerá  entre 4% e 5%.  As exportações irão crescer muito e os produtos a vender no exterior serão sobretudo as matérias-primas mineiras e também as “commodities” agrícolas, não esquecendo mencionar o alumínio. Mas o carvão também se salienta porque, em 2016, é possível que ultrapasse o alumínio, que tem sido a maior exportação moçambicana. O gás também será uma forte exportação, mas só daqui a quatro ou cinco anos. Isto deverá acontecer, no entanto o défice de rendimentos, ainda pouco elevado em 2014, acabará muito elevado daqui a quatro anos, porque os investidores estrangeiros no sector mineiro começarão a repatriar os rendimentos nessa altura. Ora este aspecto da economia moçambicana deveria ser visto atempadamente pelas respectivas autoridades, no sentido de evitar que a estrutura da economia não saia prejudicada pelo investimento estrangeiro e que, antes pelo contrário, seja uma troca justa para o investidor externo e para Moçambique, que tanto precisa de se desenvolver e precaver contra as habituais inundações. Refira-se que as importações do país estão a ser substanciais, sobretudo de equipamentos, necessários ao desenvolvimento e às empresas de gás e do sector mineiro.


O banco central do país está a envidar esforços, através da política monetária, para manter a inflação controlada, pois esta pode ser uma ameaça à estabilidade social. Também pretende expandir o crédito à economia, o que fará desde que a inflação esteja sob controlo. Para finalizar, refira-se que a estabilidade política é um aspecto essencial ao desenvolvimento do país. Os analistas preveem que o partido do governo (Frelimo) permaneça a força política dominante nos próximos quatro ou cinco anos, e a assinatura do acordo de paz, depois de 18 meses de tensões violentas, entre o governo e a oposição histórica, a Renamo, melhorou bastante as perspectivas a curto prazo. O acordo, assinado no princípio de Setembro, entre o Presidente Armando Guebuza e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, acordo ractificado pelo parlamento, possibilitou uma campanha para as eleições de 15 de Outubro, no mínimo calma. As eleições acabam de ser ganhas por Filipe Nyussi, da Frelimo, anteriormente ministro da defesa no governo de Guebuza, que, assim, sucede a este. No entanto, há que deixar assentar a poeira para ver como irá reagir quem perdeu estas eleições.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

China - Como será exportar para lá?

Conhecemos a China longínqua, mas sentimo-la cada vez mais perto de nós, pelas boas e más razões, ou para ser mais correcta, pelos motivos mais óbvios e pelos mais ignorados. Os que se notam mais desde há muitos anos são as lojas chinesas, as imitações de tudo o que se vende no Ocidente, os preços baixos, os chineses propriamente ditos (trabalhadores inveterados) mas também, há menos anos, é bem conhecida a entrada em Portugal dos grandes investimentos chineses. Do mesmo modo, quase todos os portugueses, através da comunicação social, sabem que a China se tornou uma das maiores economias do mundo, quando até agora era apenas o país mais populoso. Acresce que, também algumas empresas exportadoras portuguesas estão já a vender para a China, seja em início de exportação, seja em planos para futuramente exportar. Tudo isto se passa, mas torna-se cada vez mais necessário conhecer melhor um mercado que há já várias décadas está a ser trabalhado por multinacionais norte-americanas e europeias, através de marcas bem conhecidas, desde automóveis até produtos de higiene e cosméticos. Os estudos que se fizeram para penetrar naquele mercado são difíceis de conhecer, mas os percursos das principais marcas são mais evidentes e mostram seguramente que o mercado é como qualquer outro, ou seja, tem aspectos gerais, em que os consumidores revelam comportamentos semelhantes a qualquer consumidor do mundo, e tem aspectos específicos e locais, como qualquer mercado local, e que devem ser conhecidos, antes de se pensar em penetrar naquele país. Claro que a entrada no mercado também tem de ser planeada consoante a indústria em questão.

Refira-se que uma grande empresa de estudos e auditoria sediada em Londres (Ernst and Young) prevê que daqui a quinze anos (cerca de 2030) aproximadamente dois terços da população mundial de classe média estarão na Ásia-Pacífico, sobretudo na China. Presentemente com 150 milhões de consumidores de classe média, a China poderá ter mil milhões, o que representa um mercado enorme para as empresas norte-americanas e europeias. Actualmente, o mercado chinês representa para as empresas norte-americanas à volta de 250 mil milhões de dólares. Ou seja, apostar no mercado chinês não é utopia, mas sim uma previsão baseada em dados actuais.

Presentemente, a estabilidade política é evidente, com a entrada em funções do presidente Xi Jinping em Março de 2013; após a posse, tornou-se um líder de confiança, com maior autoridade no partido do que qualquer anterior liderança, desde Deng Xiaoping (1978-1992). O primeiro-ministro, Li Keqiang, tem estado relativamente apagado com a sombra do presidente Xi, mas parece acompanhar a agenda do presidente e está provavelmente a ter um papel importante na definição e execução da política. A campanha anti-corrupção deverá dar ao presidente um instrumento poderoso como aviso a dissidências dentro do partido. Essa campanha já levou a demissões de algumas figuras
A grande fonte de influência da China na situação global consiste no desejo dos governos estrangeiros e empresas do exterior conseguirem tirar partido do enorme mercado interno chinês e também de atrair o investimento da China para os respectivos países.

A economia chinesa cresceu 7,7% em 2013, apoiada por um pacote de mini-estímulos a grandes investimentos que o governo lançou em meados do ano. Como a campanha do governo contra despesas públicas extravagantes começou a ser mais moderada, o crescimento do consumo (tanto público como privado) deverá acelerar em 2014. O desempenho das exportações chinesas será também melhor, à medida que se fortalecer a procura externa, sobretudo nos EUA e na UE. Contudo, as condições restritivas do crédito provavelmente farão abrandar o crescimento do investimento em 2014. A previsão da EIU para o crescimento económico em 2014 é de 7,2%. As previsões de incremento para as exportações de bens e serviços em 2014 é de 7,5% e em 2015 de 7,6%. Quanto às importações de bens e serviços, estas crescerão 7,9% em 2014 e 8,3% em 2015. Verifica-se, assim, que a China continuará a ser um grande exportador mundial e também um grande importador. Neste caso, o crescimento irá mesmo acelerar de 2014 para 2015.

Ora são estes números do crescimento das importações chinesas que as PMEs exportadoras portuguesas deverão olhar se querem pensar ou continuar a pensar na China. O mercado tem espaço, a questão é saber quais os produtos ou grupos de produtos que mais interessam à economia chinesa e ao consumidor chinês.

As oportunidades existem sobretudo nas regiões com maior poder de compra que se encontram nas províncias do litoral, desde Guangdong a Liaoning e menos nas províncias do interior. As regiões mais ricas são Guangdong, Zhjiang, Xangai, Pequim e Tianjin. Como a China se encontra num processo de construção de infra-estruturas, considerado único a nível mundial pela sua dimensão, existem oportunidades nas áreas de transportes quer ferroviários quer rodoviários (equipamentos, etc.), na energia, na habitação, podendo as empresas portuguesas considerar hipóteses na internacionalização nestes sectores. Na área dos serviços, o envelhecimento da população tem impulsionado os sectores relacionados com cuidados de saúde, mas o aumento do nível de vida está a ter impacto nas áreas de restauração e entretenimento. Os serviços às empresas e o sector bancário (dada a gradual liberalização neste país) são também áreas com oportunidades. Na área do turismo, o crescente poder de compra e a diminuição das restrições aos movimentos de pessoas, estão a favorecer as saídas de turistas chineses, mas a popularização da China como destino turístico também se verifica. Há muitos anos que muitos portugueses viajam para a China em turismo.

Exportar de Portugal para a China é um fenómeno que existe, mas tem pouco significado. No entanto, referem-se os principais grupos de produtos exportados (fonte: Aicep): máquinas e aparelhos são os principais, com menor expressão seguem-se os minerais e minérios, os metais comuns, a madeira e cortiça e os produtos químicos.

Os aspectos da qualidade e da imagem são essenciais para as empresas ocidentais exportarem para a China, dado que este país consegue produzir quase tudo a custos muito inferiores aos das empresas ocidentais. Assim, estas são consideradas as vantagens competitivas. Na qualidade, nota-se que as grandes empresas chinesas já investem em máquinas de origem norte-americana ou europeia se estas trouxerem vantagens em termos de qualidade de produção. Existem muitos exemplos neste sentido. A Aicep indica que, entre as indústrias portuguesas que poderão procurar mercado nesta área encontram-se as de moldes, peças para máquinas, máquinas e aparelhos e cortiça. Quanto à imagem, sabe-se que na sociedade chinesa o estatuto assume uma particular importância, pelo que os consumidores chineses com algum poder de compra procuram as marcas ocidentais conhecidas. Isto porque os chineses dessa categoria sabem que os produtos de marca têm preço mais elevado e que o público se apercebe disso, sendo esta a razão porque os preferem. Esta situação pode suceder ou vir a suceder com produtos portugueses de certos sectores, como por exemplo, têxteis, calçado, vinho, mobiliário, artigos para o lar e materiais de construção. Os sectores indicados são os que têm maior potencial de exportação para a China, mas a qualidade e a imagem têm de ser considerados aspectos-chave nos produtos a exportar.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

PME e o Mercado dos EUA

Comportamento da Economia Norte-americana

A economia dos EUA no final de 2013 estava a ser influenciada pela primeira metade do ano. A situação económica comportou-se relativamente bem face à restrição fiscal do início do ano, uma vez que o sector privado revelou-se dinâmico. Por seu lado, os consumidores optaram por diminuir as poupanças, a fim de conseguirem manter o seu poder de compra. Assim, as previsões dos principais analistas vão no sentido de o consumo privado crescer 1,9% em 2013 e um pouco mais em 2014. O crescimento do PIB deverá ser de 1,6%, muito abaixo dos 2,8% de 2012, mas houve um progresso ao longo de 2013, que irá continuar em 2014, ano em que a previsão para o incremento do PIB é de 2,6%. No entanto, uma provável restrição monetária em 2014 fará reduzir o crescimento nos dois anos seguintes.

Ambiente Político

Importante é salientar que o comportamento económico irá ser condicionado pela cena política, que continua marcada pela grande diferença ideológica entre Democratas e Republicanos, a qual se manifesta na divisão do Congresso. Isto torna difíceis os compromissos políticos e muito complicada a passagem de legislação no Congresso em aspectos de grande importância  para o país. Um obstáculo é que a maioria republicana continua a ser fortemente influenciada pelos republicanos ultra-conservadores ligados ao movimento anti-governamental “Tea Party”. De facto, os republicanos estão divididos entre os membros do “Tea Party” e a ala mais moderada do Partido, liderada por John Boehner, o “Speaker” na Câmara dos Representantes. Recentemente, no contexto das negociações para o Orçamento de 2014 (este teve início a 1 de Outubro), a Administração Obama acabou por iniciar o processo de suspensão dos serviços públicos federais não essenciais, o que aconteceu pela primeira vez em 17 anos. A decisão da Casa Branca foi tomada pouco antes da meia noite de 30 de Setembro, que era o limite para que o Congresso acordasse numa resolução para a continuação do financiamento da Administração Federal, que entrou em novo ano fiscal a 1 de Outubro. Os republicanos na Câmara dos Representantes, onde detêm a maioria, continuaram a bloquear as negociações, exigindo o adiamento por um ano da lei de cuidados de saúde, conhecida como Obamacare.

Novo Paradigma no Marketing - Números sobre o Online
Para além deste ambiente, o final de 2013 enfrenta desafios, que já não são nada novos mas que muitas PME portuguesas ainda não estão preparadas para reagir com prontidão. Trata-se obviamente da mudança de paradigma no que refere ao marketing de exportação.
Vou apresentar alguns números para elucidar a mudança que começou e irá certamente continuar. O número de compradores digitais nos EUA, em milhões, tem progredido do seguinte modo: 2010 - 172,30 milhões; 2011 - 178,30; 2012 - 183,80; 2013 - 189,40; 2014 - 194,80; 2015 - 200,10; 2016 - 205,20; 2017 - 210,20 (Fonte: eMarketer - em 2013 são estimativas e a partir de 2014 previsões). A nível mundial, estes milhões de compradores digitais norte-americanos representam uma fatia substancial. No entanto, apesar de elevado, em relação ao mundo o mercado digital dos EUA não tem aumentado de peso, dado que outras regiões do mundo estão também a progredir a nível digital e tudo indica que este movimento alastre. Vejamos este exemplo: Percentagem do B2C e-commerce dos EUA em relação ao global: 2010 - 35,8%; 2011- 33,5%; 2012 - 31,5%; 2013 - 29,7%; 2014 - 27,8%; 2015 - 26,9%; 2016 - 26,3% (Fonte: ComScore). A percentagem é elevada, mas está a diminuir. Vejamos agora outro exemplo: Percentagem do B2C e-commerce da Ásia-Pacífico relativamente ao global: 2011 - 27,9%; 2012 - 30,5%; 2013 - 33,4%; 2014 - 36,5%; 2015 - 38,2%; 2016 - 39,7%. Pelo contrário, na  Ásia-Pacífico o peso aumenta ano a ano (a Fonte é a mesma). Quer isto dizer que as PME portuguesas, como as dos outros países Ocidentais, devem preparar-se para acompanhar este movimento, uma vez que, a médio-longo prazo ficarão fora do marketing de exportação actual.
Inbound Marketing, SMarketing, CRM, Websites na Exportação

Quando se fala de e-commerce, tem que se falar de Marketing Digital, Inbound Marketing, SMarketing (marketing em fusão com vendas), CRM, Exportar com o Website, Páginas de Aterragem, Estratégia de Conteúdos, etc.
   

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Economia de Angola em meados de 2014


O crescimento económico em Angola, previsto em 8,8% em 2014, deverá ser revisto para 4,6%, devido ao andamento da produção de petróleo na primeira parte do ano. Só em 2015 o crescimento será de 5,5%, mesmo assim muito inferior à previsão ambiciosa inicial de 8,8%. Este crescimento, de capital intensivo e dependente das importações, tem fortes ligações a áreas dominadas pelo sector estatal, nomeadamente a construção e o sector financeiro. O sector não petrolífero, como transportes, indústria ligeira, comércio e serviços, terá rápida expansão, mas a falta de reformas e a sobre-valorizada taxa de câmbio, dará um mau clima de negócios, restringindo o investimento fora dos sectores petrolífero e da construção.

Apesar dos esforços do governo angolano para estimular as pequenas e médias empresas, bem como os serviços, exemplo do turismo (que pode levar à criação do emprego), e ainda esforços para desenvolver um sector privado dinâmico, esses esforços enfrentam obstáculos como seja um fraco capital humano, deficiente regulação, insuficiente fornecimento de energia, elevados níveis de corrupção e ainda a redução (crowding-out) do investimento privado através das medidas do sector público.

O Banco Nacional de Angola (banco central) fez cortes nas taxas de juro por três vezes em 2013, em cem pontos-base, o que reflecte a tendência inflaccionária positiva e uma redução das preocupações em relação ao impacto da legislação sobre o petróleo na liquidez do sistema monetário. A manutenção da inflação a um só dígito continua a ser um objectivo essencial do banco central.


O desempenho do sector petrolífero deverá continuar a ter um impacto substancial no equilíbrio orçamental nos próximos quatro anos. Os analistas estão optimistas em relação aos preços de petróleo em 2014, esperando um declínio de apenas 0,5%, contra a anterior previsão de -1,3%, mas esperam que haja uma queda anual de 3,7% nos próximos quatro anos. Todavia, isto será em parte ultrapassado pelo aumento da produção de petróleo e gás, mas o governo continuará a gastar bastante em programas sociais e nas infra-estruturas, pelo que o orçamento deverá ter um défice médio de 1,4% do PIB nos próximos quatro anos, com apenas um ligeiro excedente em 2015, devido sobretudo ao aumento da produção nesse ano. Angola deverá também continuar a contar com financiamentos e linhas de crédito dos seus habituais e recentes parceiros, nomeadamente China e Brasil.

No sector externo, a posição da balança corrente deteriorar-se-á nos próximos quatro anos, devido ao rápido crescimento das importações (com origem nos investimentos públicos em bens de capital). A actividade relativamente robusta das exportações deverá assegurar a continuação de um grande défice nos serviços e nos rendimentos, atingindo médias da ordem dos dois dígitos nos próximos quatro anos (13,4% em 2014 e 8,7% em 2018). Mas a balança de transferências ficará relativamente estável nos próximos quatro anos. Em geral, os analistas prevêm um excedente da balança corrente de 5,2% do PIB em 2013 a contrair-se para 0,6% em 2016. A seguir, estimam que a balança corrente tornar-se-á deficitária em 2017, chegando mesmo aos -2,8% do PIB em 2018.


Importa ainda referir que este contexto económico é acompanhado, pelo menos até 2016 segundo se pensa, por uma estabilidade política vigorosa, embora o Presidente José Eduardo dos Santos (no poder desde 1979) tenha possibilidade, pela Constituição de 2010, de permanecer até 2022. No entanto, especula-se em Angola (segundo The Economist Intelligence Unit) que o Presidente queira decidir sair antes dessa data, pelo que também se especula sobre o iniciar ou não de uma discussão quanto à sua sucessão. Naturalmente, também existem preocupações no sentido em que uma saída repentina do Presidente possa conduzir à instabilidade, por um possível vácuo poder. 


Aproveitar a estabilidade política existente em Angola é naturalmente importante para as empresas que pretendem introduzir-se no mercado, seja através do investimento no país, seja pela via das exportações. Assim, como se depreende do parágrafo anterior, este é o momento para quem ainda não teve oportunidade de se expandir neste país africano de língua portuguesa.